Por Luana Nogueira, turismóloga

Chegou a pandemia… e agora?

Medidas de restrição para convívio social. Confinamento. Jornada de trabalho movida para o ambiente doméstico. Atividade exclusiva de serviços essenciais. Redução de viagens. Consequentemente, de receita. Distanciamento social. Planos contingenciais e de gestão de risco colocados em prática.

A pandemia influenciou a vida do mundo inteiro e o Brasil não estaria de fora dessa lista. O setor de turismo foi um dos mais impactados: viu a receita ir embora, assim como a oferta de voos, as companhias aéreas internacionais e os visitantes, os quais preenchiam os hotéis e as cidades de norte a sul. Atualmente, o setor de turismo, seja corporativo, eventos ou lazer, busca condições para manter a gama de serviços e a receita para sustentá-lo. Pesquisas trazem dados consistentes sobre o retorno das atividades do turismo corporativo e de eventos previstos para a volta à normalidade, em meados de 2021. Já o turismo de lazer prevê a garantia de distanciamento, saúde e segurança nos destinos como itens mandatórios para o reinício das atividades.

Contudo a privação da livre circulação e o confinamento no ambiente doméstico por quatro meses trazem um novo olhar para a vida cotidiana, como novas prioridades, uma grande necessidade em sair de casa e de socialização. Vimos essa busca pelo “ir para a rua” com a grande demanda na reabertura parcial dos shoppings, das cafeterias, restaurantes e um movimento de reservas nos hotéis e resorts dentro do Brasil. Corporações também estão se movimentando, mesmo timidamente, em promover viagens corporativas e eventos híbridos.

Com a iminente flexibilização das medidas de contenção da pandemia causada pelo coronavírus no estado de São Paulo, imagine a quantidade de pessoas sentindo-se seguras para realizar suas viagens, mesmo em pequenos deslocamentos. Por exemplo, trajetos de final de semana, distâncias de até 300 quilômetros de sua origem, locais com mais tranquilidade e com garantia de estadia de alto grau de higienização e medidas de segurança sanitária.

Para responder a essa movimentação, um programa consistente de gestão de risco faz-se necessário para qualquer atividade. Seja ela corporativa ou não, praticada pelo viajante ou pelo transportador e/ou quem o recebe. Portanto, compartilho algumas observações imprescindíveis para o sucesso dessa operação no atual cenário:

  1. Locais e fornecedores comprometidos com a sua saúde apresentarão garantias para o distanciamento social aplicado à sua atividade. Seja por separação de mesas ou poltronas em ambientes de uso coletivo, bem como a exigência de uso de máscara e sanitizantes para mãos e equipamentos de segurança adicionais, inclusive para funcionários
  2. As medidas de higienização de locais, espaços, quartos, mesas, utensílios e ar-condicionado central devem ser intensificadas pela utilização de produtos eficazes e específicos, contando com a repetição e regularidade
  3. Reserva de horários para atividades em espaços coletivos e medidas adicionais de limpeza nos intervalos
  4. Para transportes, faz-se necessária a desinfecção do ambiente interno e de poltronas, conforme protocolos de assepsia contra a Covid-19, adicionada à redução da capacidade total e à proteção adicional para o motorista
  5. Controle de embarque e acesso de passageiros em trânsito realizados em tempo real
  6. Opção de desinfecção por túnel de ozônio
  7. Apoio médico 24 horas
  8. Orientação por guias impressos individuais e/ou sinalização, definição de rotas de circulação e clareza na comunicação ativa
  9. Monitoramento do estado de saúde de visitantes e profissionais, aplicação de testes de Covid-19 para funcionários e prestadores de serviço em atividade, dentre outros

Se a sua empresa, até então não se adaptou, esteja atento a esses pontos.

Momentos de crise trazem novas oportunidades. Para quem possui o desejo de se conectar com novos espaços com a tranquilidade de uma viagem programada e segura, o turismo rodoviário tem recebido créditos, os mesmos vividos no passado, e se intensificará nos próximos meses. O transporte aéreo tem dificuldades em restringir a capacidade transportada, já o rodoviário consegue tangibilizar medidas de distanciamento dentro do veículo de forma efetiva, além de garantir a sanitização em todos os pontos de embarque e desembarque.

Além disso, o programa chamado “Investe Turismo” coloca 158 municípios brasileiros no foco de um amplo pacote de investimentos e ações de fomento, desenvolvido pelo Ministério do Turismo, Sebrae e Embratur. Um dos pilares dessa iniciativa é a criação de rotas turísticas estratégicas, com o objetivo de facilitar a integração de cidades e ampliar as possibilidades rodoviárias, fortalecendo esse segmento. Em 2019, por exemplo, o crescimento nas vendas em rotas de ônibus de uma operadora de turismo foi de 15%.

Cidades turísticas caminhando para a fase verde, conforme a determinação do governo do estado de São Paulo, podem se beneficiar com a chegada dos turistas e da movimentação de seu comércio. Como? Ofertando seus serviços e atrativos mais diversos. Resorts e hotéis têm intensificado a oferta de suas qualidades e produtos adaptados para esse público interessado em estadias de curta e média permanência. Já as agências de viagens de pequeno, médio e grande portes estão oferecendo o produto rodoviário em seu portfólio. A tendência é de ampliação de roteiros pela democratização desse serviço nas pequenas cidades, aonde o turismo aeroportuário ainda não chegou.

Ainda tem mais: as empresas de transporte de fretamento de ônibus já têm se preparado para esse movimento, com motoristas profissionais qualificados, medidas de saúde e segurança e conforto para os usuários. Esses serviços sofreram intensa modernização e melhorias em seus equipamentos e atividades auxiliares nos últimos anos.

Por fim, viajar é um dos maiores desejos da maioria dos seres humanos, principalmente com segurança! É a melhor forma de se inspirar e desenvolver a criatividade enquanto se diverte. Afinal, viajar nos proporciona várias experiências novas e, automaticamente, desperta curiosidade e a espontaneidade bloqueadas no dia a dia.

Turismo é vida, experiência e enriquece!